Tales of Phantasia foi lançado há muito tempo no Japão,
mais precisamente no dia 15 de Dezembro de 1995. O game nunca chegou
ao Ocidente. Ele ficou realmente muito popular na época, e eu
lembro que li em uma revista sobre o jogo, se não me engano foi
numa Game X, que é da minha geração deve lembrar
desta revista (que não era TÃO ruim, por sinal). Tales
of Phantasia chamava a atenção por ser o primeiro jogo
de Super Nintendo com mais de 32 Megabits... Tales of Phantasia tinha
48! E pode ter certeza que estes quarenta e oito Megabits foram muito
bem utilizados no cartucho. Você logo notará isto na introdução
ao ouvir a música "Yume Wa Owaranai" (The Dream Will
Never Die), que é a música tema do jogo, que por sinal,
é cantada! Algo que é muito raro no Super Nintendo.
Agora, o problema da miserável Namco jamais ter trazido o jogo
para o Ocidente, fez que com uma cacetada de RPGamers não pudessem
saber de que diabos tratava-se Tales of Phantasia. Até que um
anjinho bateu na porta de um americano conhecido na internet como Dark
Force pedindo que ele e alguns outros membros do grupo DeJap
traduzissem Tales of Phantasia para o inglês. Os caras fizeram
um hack monstruoso no game e conseguiram trazê-lo para o inglês
com uma qualidade muito animal. E foi aí que eu e o resto do
mundo que não sabia japonês, pôde jogar Tales of
Phantasia (que linda história).
Agora começando o review de verdade, deixe-me contar a você
um pouco sobre o enredo de Tales of Phantasia (pule
os próximos parágrafos até "Um dos vários
atrativos..." se não quer saber nada sobre o enredo, vou
contar a primeira uma hora e meia de jogo):
Dhaos tentou conquistar o mundo à 100 anos atrás, quando
estava prestes a ser derrotado, fugiu para o futuro, para um tempo em
que nossos heróis ainda eram crianças. Os pais de Cless
(personagem principal), a mãe de Mint e Tornix D. Morrison conseguiram
prender Dhaos com um campo de força, criado com o poder de dois
pingentes. Um deles ficou com os pais de Cless, e o outro, com a Mãe
de Mint.
Dez anos se passam, tudo tranqüilo até uma manhã
infeliz. Cless e Chester saem para caçar e um homem chamado Malice,
cego por cobiça e incentivado por Dhaos (que ainda está
preso) e suas tropas destróem a vila em que Cless e Chester moram
em busca do pingente. Cless e Chester chegam da caça e encontram
todos mortos.
Cless então é preso na casa de seu tio (onde buscava "refúgio"),
e o pingente que ganhara em seu 15º aniversário lhe é
tomado. Na prisão, consegue fugir com a ajuda do espírito
da mãe de Mint, que era quem protegia o outro pingente, agora,
nas mãos de Malice. No caminho, Cless encontra Mint. Logo depois,
os dois fogem juntos e numa tentativa de proteger Mint, Cless desmaia
ao ser atacado por um Slime.
Eles acordam na casa de Tornix D. Morrison e correm para a tumba de
Dhaos, onde ele é libertado. Então, Tornix manda Cless
e Mint para o passado, onde poderão tentar concertar as coisas,
enquanto Chester e ele passam mals bocados.
Depois disto tudo, que demorará uma hora e meia de jogo mais
ou menos, você realmente estará começando sua jornada
para descobrir quem, ou o que é Dhaos e o que ele realmente quer.
Sua missão é descobrir o que ele realmente quer, de onde
ele vem e como salvar a humanidade deste hospedeiro que quer sugar o
planeta.
Como a história de Tales of Phantasia envolve fendas temporais
(que são coisas que eu piro... quem não curtiu "De
Volta Para o Futuro"?), pode até ter algumas partes em que
você para e pensa, tem uma dúvida sobre alguma coisa, ou
então, uma parte em que você para e pensa que tem um furo
no enredo, mas não há aquele furo, é apenas uma
questão de interpretação.... Isto apenas enriquece
pra caramba todo o game, com diferenças entre épocas e
a possibilidade de encontrar gerações futuras de rescém
conhecidos. O enredo de Tales of Phantasia surprenderá a muitos,
principalmente no desfecho, que é quando você saberá
a verdadeira razão de sua luta. É quando você realmente
conhece o grande "vilão" do jogo: Dhaos. Que por sinal,
parece ter um trocadilho em seu nome... Se trocarmos o "D"
pelo "C" ficará "Chaos", que ao pé
da letra, seria "Caos" em português.
O enredo pode parecer meio "básico" ou "manjado"
ou pior, tem gente que pode pensar que o enredo é "chupado"
de Chrono Trigger. Mas não é, pode ter certeza que não!
Tem muita coisa que difere o enredo de Tales ao de CT, é totalmente
diferente para lhe ser sincero. Muitas surpresas o aguardam, e muitas
revelações interessantes, as quais nenhum RPGamer está
acostumado a ver em qualquer RPG. Você vai jogar, jogar e jogar
querendo saber mais e mais e mais.
Um dos vários atrativos deste grande RPG são as personagens.
Os quais mostram ter uma personalidade, o que é um ponto MUITO
positivo num RPG, afinal, ninguém gosta de controlar robôs.
Cada uma das personagens tem o seu estilo marcante de ser. Como Klarth,
que é meio chato e rude às vezes, mas também é
muito sábio quando é preciso. Eu não sei o que
seria deste game sem a Arche por exemplo, que é um poço
de bom humor e alto astral, que provavelmente lhe proporcionará
boas gargalhadas durante o desenrolar do game. Ela com certeza é
a grande figura do game, e é minha personagem predileta. Isto
tudo, sem contar a quietude de Cless, e a pureza de Mint e o jeito briguento
de Chester, que também é um barato. As personagens se
completam, todos com seu jeito diferente de ser. Ao jogar você
perceberá isto e dirá "Namco r0x".
Mudando um pouco o rumo desta análise, o Sistema de Batalha de
Tales of Phantasia é no mínimio muito inovador. Carinhosamente
chamado de "Linear Motion Battle System" e diferente de tudo
que eu tinha visto até o momento que joguei Tales of Phantasia...
Ou seja, totalmente diferente de qualquer outro RPG que não seja
da série. Nele, as batalhas são em tempo real, nada dos
famosos e muitas vezes irritantes turnos ou barras de espera para atacar.
Não... Você não precisa ficar esperando um inimigo
fazer um ataque e não pode desviar você mesmo... Você
controla a personagem principal, que no caso é o Cless, soltando
muitas techs com efeitos visuais até certo ponto convincentes.
Para as outras personagens você pode, ou não, dar ordens.
E caso não dê, eles agirão por conta própria,
mandando magias e invocações para detonar qualquer inimigo.
Algo interessante no sistema de batalha de Tales of Phantasia, são
as técnicas que você aprende com Cless. A cada nova técnica
uma nova alegria, algo novo e mais devastador para detonar os inimigos,
sendo que você normalmente não descansará enquanto
não encontrar todas elas, algo que lembra minha vontade de adquirir
techs em Chrono Trigger e Phantasy Star 4 por exemplo: Pois as técnicas
são tão legais que você quer por que quer todas!
E tudo isto não funciona com uma jogabilidade travadona não!
De jeito algum! A jogabilidade é muito rápida e eficaz...
Um dos problemas das batalhas (que não é bem um problema)
é que os inimigos podem tontear os seus personagens, com um ataque
muito forte, ou com ataques seguidos. Isto atrapalha muito quando dois
inimigos o encurralam, e fica difícil de sair se não tiver
um boa técnica equipada.
Já que mencionei jogabilidade, vamos falar um pouco dela: É
bastante rápida e eu, no começo do jogo (confesso), achei
lenta demais. Mas isto durou apenas até eu conseguir umas botas
de velocidade, que dão a você o "poder" de correr.
Falando dos menus, são complexos e muito bem feitos. É
muito fácil mexer no menu de Tales of Phantasia, principalmente
na parte de itens que diferente de altos RPGs por aí a fora,
existem ícones para cada tipo de item. Cada nova arma que você
pega tem uma imagem, isto ajuda. Também é muito fácil
equipar e desequipar magias e itens, o menu também mostra o tempo
de jogo e coisas do tipo, algo que para mim conta pontos.
Ainda rodeando a jogabilidade e diversão, devo mencionar também
que Tales of Phantasia tem altos Side Quests e mini-games. Pode crer
que você vai querer ir até o 21° andar da Moria Gallery,
ou então, que precisará desesperadamente encontrar Ninja
Village, ou que irá vencer a corrida contra o miserável
pivete de Alvanista, mesmo que tenha que usar Save State no meio da
corrida! Side Quests e mini-games são indispensáveis e
aumentam bastante o replay de um RPG.
Graficamente falando, o game é rico em qualidade gráfica
para e época que foi lançado, e mesmo até hoje
é admirável. Admirável sim, pois a Namco deu um
belo trato no jogo, e deu uma ênfase enorme aos cenários...
Com detalhes como borboletas voando; folhagem das árvores caindo
nos riachos (e com reação da água com o contato
das folhas); as sombras das árvores em cima dos telhados das
casas e dos verdes, bonitos e bem-feitos gramados; o claridade entrando
pelas janelas quando se tem um relâmpago (bem melhor que "aquilo"
visto em Dragon Quest VI); o reflexo das personagens na água;
a reação de poças d'água em contato com
os pés das personagens... E muitos outros mínimos detalhes,
que quando em conjunto, deixam os cenários mais belos e atraentes
aos nossos olhos.
Os gráficos também são muito bem mostrados nas
batalhas, que por sinal, tem alguns cenários realmente muito
bonitos, com gramados que têm um verde vivaço demais, que
só falta tirar lágrimas deste RPGamer aqui. Sendo que
cada personagem é bem animado nos cenários de batalha
(principalmente Cless, que é quem mais tem quadros de animação).
Outra coisa interessante sobre as batalhas é que não só
as personagens principais são bem animados, e sim, todos os inimigos
que aparecerão durante o game. Mais um fato que vale à
pena ser dito é que, diferente da grande maioria dos RPGs de
Super Nintendo, em Tales of Phantasia você vê a arma que
equipa em seu personagem. Ou seja, se você está com um
machado, não verá uma espada na mão de Cless, e
sim, um machado! (duh)
Enfim, são pouquíssimos os jogos de Super Nintendo que
sejam graficamente tão bons quanto Tales of Phantasia. Pior ainda
se formos falar de RPGs, pois a grande maioria perde e feio para este
game. Games da série Final Fantasy não chegam nem perto,
nem mesmo o nosso adorado Chrono Trigger pode vencer esta luta. Um dos
poucos jogos de SNes que é graficamente tão bom quanto
Tales of Phantasia, é Star Ocean, que por sinal, foi feito pela
mesma equipe de desenvolvimento que Tales of Phantasia e é outra
pérola que não chegou ao Ocidente.
Quando você jogar Tales of Phantasia, ficará maravilhado
com boa parte da trilha sonora do jogo. Não só por causa
de "The Dream Will Never Die", e sim, pelo belo conjunto de
músicas que conseguem fazer muito bem o que as músicas
nem sempre fazem no mundo dos games: passar o clima do jogo para você.
Seja ele de alegria, tristeza ou perigo. Ouça a música
Freeze por exemplo, e veja como foram bem compostas. Com ela passa a
tranqüilidade a você e te deixa plácido.
Outro fato importante a ser comentado são as vozes! Pois cada
golpe especial de seus personagens é falado! Você ouvirá
Klarth claramente invocar algum espírito pelo nome, como "Undine"
ou "Ifrit", e ouvirá Arche gritando "Ice Tornado"
e coisas do tipo. Isto aumenta ainda mais a diversão? SIM! Pow,
claro que aumenta. Principalmente para pessoas como nós, que
lembramos claramente de coisas do tipo "Execução
Aurora", "Kamehameha". Para nós, o grito do nome
de um golpe antes de seu desfecho é muito interessante e importante.
Só não saia na rua gritando "Meteor Storm",
porque daí pega mal...
Como deu para perceber, Tales of Phantasia é, para mim, bom/excelente
em todos os esquisitos. É um game maravilhoso que vale à
pena ser jogado, e não só uma vez! Se ainda não
jogou: Jogue-o. Mas não uma vez, pois uma vez é insuficiente
para este game. Você deve jogar pelo menos duas vezes para entender
melhor seu enredo e curtir bastante todos os momentos, side quests e
mini-games. |